INSTRUMENTUM LABORIS – PLANO APOSTÓLICO DA NOVA UNIDADE

 

FASE DO TRABALHO QUE PEDE A PARTICIPAÇÃO DE TODOS

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PLANO APOSTÓLICO DA NOVA UNIDADE

Fortaleza – Goiás – Recife

“Se as novas estruturas não forem expressão de uma renovação interior, já nascem fadadas ao fracasso, porque toda nossa obra missionária se sustenta no testemunho de fé e de adesão livre ao Evangelho.”
(Carta à Conferência, 01.09.2018)

PRESSUPOSTOS

  • O Instrumentum laboris é um documento cuja função é promover o debate e sugerir que todos estejam abertos a ajustar, corrigir, substituir e formular o caminho por onde o Espírito Santo nos levar.
  • Nosso trabalho, neste texto, tem objetivo sinodal, isto é, quer ser uma semente que se joga num terreno onde o cultivo precisa ser comunitário, produzindo um caminhar juntos e uma tomada de consciência aprofundada sobre a vida da mulher e do homem nesse mundo ferido e formam o povo confiado à missão dos redentoristas nesse processo de reestruturação. É um texto que pretende expressar o quem somos e o que fazemos nesse cenário, a partir do carisma redentorista no caminho percorrido pela Igreja e em diálogo com o tempo atual.
  • Este texto não é o Plano Apostólico da nova unidade pronto e acabado. É apenas um instrumento que estamos apresentando para que os confrades e as comunidades nas três unidades formulem o nosso Plano Apostólico real e legítimo, a partir das nossas bases concretas e no contato real com o nosso povo. E, aí sim, um novo texto será apresentado na assembleia das três unidades no mês de outubro. Para esse caminho, a subcomissão de Vida Apostólica do projeto de reconfiguração da nova unidade assumiu o seguinte cronograma: 02/6 – Entrega do texto aos membros dos três governos; 07/6 – Entrega do texto aos coordenadores dos secretariados de Vida Apostólica das três unidades; 21/6 – entrega aos secretariados para ser distribuído para os confrades e às comunidades; 25/9 – último prazo para devolução do texto à subcomissão de vida apostólica; 26/10 – entrega da formulação final para o trabalho de apreciação final e aprovação das três unidades na assembleia.

INTRODUÇÃO – Modo de usar

No ambiente da Vida Religiosa, há textos em demasia. Psicanalistas advertem que a pressão provinda do excesso perturba as pessoas de modo tal que um dos três caminhos será, fatalmente, seguido: o do desperdício, o do gasto irracional ou o do descarte. Essa é uma realidade muito facilmente verificada, entre nós. O confrade nunca os lê, ou os menciona sem convicção ou, simplesmente, os descarta. Precisamos de textos mais práticos, mais simples e diretos. Essa é a pretensão dessa ferramenta de trabalho que convencionamos chamar de vários modos, mas que, no fim, é um texto para ser apenas um guia modesto que nos ajude a colocar em movimento uma reflexão que possa merecer a execução de um Plano Apostólico para nossa nova unidade.

A reestruturação, na Congregação, que já está sendo realizada, há tempos, é feita para avançarmos, em qualidade, na execução da nossa missão como redentoristas, aqui e no mundo inteiro. É isso. Apenas isso. Ainda que o “apenas” seja uma figura de linguagem usada para acelerar a nossa compreensão, pois se trata de um esforço pessoal hercúleo tanto em nível pessoal como comunitário. Qualquer ilação fora desse propósito pode comprometer nosso processo atual e mesmo que tenha pertinência ao discurso de um grupo religioso, precisará ficar para uma discussão posterior ou pagaremos o preço de nos dispersarmos e não nos entendermos naquilo que é, no momento, necessário e urgente.

Consideradas essas duas premissas, este texto é produzido com algumas características muito definidas e que precisam ser levadas em conta para não se perder tempo com tentativas de “correção”. É um texto com linguagem corrente sem recursos teológicos e filosóficos. É um texto marcado pela primeira pessoa do plural para promover engajamento e dar leveza na elaboração do discurso. É um texto que pressupõe um aperfeiçoamento nas abordagens e um ajuste em seu tom geral. É um texto que só faz sentido se considerado como ferramenta.

Ao nos referirmos às unidades, obedecemos a ordem alfabética: Fortaleza, Goiás, Recife.

OBJETIVO

Oferecer sempre o anúncio da abundante redenção em Cristo, por meio da pregação explícita, da caridade evangélica, da benignidade pastoral e da solidariedade missionária; a partir da identidade e carisma da Congregação do Santíssimo Redentor, para fazer o Evangelho chegar, aos mais abandonados e pobres, como mensagem de salvação, misericórdia, esperança e libertação integral.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

 

  • Traduzir, com termos mais diretos, para a realidade própria da nova unidade as linhas-mestras do magistério da Igreja, do Plano Apostólico da Conferência dos Redentoristas da América Latina e Caribe, da Igreja no Brasil e da caminhada apostólica amadurecida nas três unidades que agora convergem para um único grupo.
  • Fomentar, com cuidado e respeito, um caminho novo que não ignore a estrada percorrida na marca histórica das três unidades que convergem para a nova unidade.
  • Observar, com dedicação, a missão que realizamos em todos os espaços ocupados atualmente e apreender elementos capazes de nos ajudar a discernir sobre decisões a respeito do que permanecer, do que deixar e para que lado caminhar.

Primeira parte

(RE) CONHECER A REALIDADE COMPLEXA – O mundo ferido

DADOS BÁSICOS

  1. Nossas unidades estão presentes, territorialmente, em três regiões políticas do Brasil: Centro-Oeste sem o Mato Grosso do Sul, o Nordeste, excetuando Bahia e parte muito pequena da região Norte. No seu conjunto, no entanto, é um mundo de mais de 2 milhões e meio de quilômetros quadrados. É como se, pela extensão, tivéssemos que evangelizar a Argentina inteira, descontando que lá vivem cinco milhões a mais de pessoas que temos em nosso território missionário. A população que podemos considerar como “nossa” é quase a população da Polônia. Juntas, nossas duas regiões, sem Bahia e Mato Grosso do Sul, somam um pouco mais de 39 milhões de habitantes. Um pouco mais de 18% da população brasileira.
  2. Considerando apenas as sedes de nossas unidades, temos cidades que estão nas seguintes posições do ranking brasileiro das mais povoadas: Fortaleza, com 2.669.000, ocupa o quinto lugar; o nono está com Recife que tem 1.600.000; e o décimo lugar entre as maiores cidades brasileiras está Goiânia com 1.500.000 habitantes. Além disso, temos mais de meia dúzia de capitais com números menores de moradores. Esses dados, arredondados, são do o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
  3. O trabalho redentorista da nova unidade terá que considerar um pequeno território da região Norte do Brasil, no estado do Tocantins, mas dado o histórico do estado mostrar que aquela região foi parte de Goiás até outubro de 1988, suas características estarão incluídas como se fizesse parte, na prática, da região Centro-Oeste.
  4. Estereótipos. É preciso conhecer, com mais propriedade, as duas realidades regionais com especial atenção nas ciladas dos estereótipos. Para novatos na reflexão sobre o Nordeste serve uma advertência de Aziz Nacib Ab’Sáber: “Das velhas e repetitivas noções do ensino médio – herdadas um pouco por todos nós – restaram observações pontuais e desconexas sobre o universo físico e ecológico do Nordeste seco. Sua região interiorana sempre foi apresentada como a terra das chapadas, dotada de solos pobres e extensivamente gretados, habitada por agrupamentos humanos improdutivos, populações seminômades corridas pelas secas, permanentemente maltratadas pelas forças de uma natureza perversa. Muitas dessas afirmativas […] são inverídicas e, sobretudo, fora de escala, constituindo o enunciado de fatos heterogêneos e desconexos, por um processo de aproximações incompletas”.
  5. Sobre o Centro-Oeste a busca de conhecimento também precisa evitar narrativas já conhecidas e entender que não é apenas a terra do Pequi e do Santuário do Pai Eterno. O professor Pablo Ortellado lembra: “quando a gente vê a representação daquela região como uma região rural, voltada para o agronegócio, com uma cultura sertaneja muito forte, a gente tem que entender que aquilo pode até ser verdade, mas há outras coisas que não estão presentes nessa representação”.
  6. Economia. Seis dos estados nordestinos cresceram acima da média, resultado influenciado pelas principais atividades econômicas da região: agropecuária, serviços, indústria e turismo, segundo dados fornecidos pelo Instituto de Ensino Superior UNIME, de Lauro de Freitas, na Bahia. A mesma fonte apresenta o seguinte quadro: a Zona da Mata, por exemplo, tem grande extensão litorânea, além de ser uma região onde se encontram seis das nove capitais nordestinas. Essas características beneficiaram o crescimento de atividades relacionadas à prestação de serviços. A pesca, muito praticada e considerada parte da cultura, também é responsável pela geração de centenas de empregos nas localidades.
  7. O Sertão, por sua vez, contou, na história do período colonial, com clima e vegetação propícios à produção de gados. Isso foi, aos poucos, sendo percebido como vantajoso à economia, tanto é que o investimento na atividade persiste ainda hoje. Já o Agreste foi uma região auspiciosa à organização de médias e de pequenas propriedades familiares. Isso facilitou o desenvolvimento da agricultura e, assim como o Sertão, da pecuária. A oportunidade para a agropecuária também colaborou para o desenvolvimento de indústrias, principalmente as de laticínios, couro e carne. Outro fato colaborativo para o setor industrial foi a boa produção de petróleo em algumas localidades.
  8. Em relação ao Centro-Oeste pode-se dizer que “a partir da segunda metade do século XX ganhou destaque por abrigar Brasília, a nova capital da República, e por ter se transformado em ‘celeiro nacional’, devido à maciça ação estatal que induziu um modelo de ocupação próprio”, segundo estudo de Marília Steinberger, professora de Geografia Política da Universidade de Brasília. Ela também afirma: “em Goiás, estado com maior diversificação econômica, o subsistema centro-noroeste, responsável pela mais importante concentração industrial e de serviços, localizada em Goiânia e Anápolis; e o sul, ligado à agropecuária comercial, comandada, em primeiro plano, por duas cidades extrarregionais, Uberlândia e Ituiutaba, e, apenas secundariamente, por Rio Verde e Itumbiara”.
  9. No Mato Grosso, estamos presentes na Diocese de Barra do Graças, em Nova Xavantina, e na Prelazia de São Felix do Araguaia, na Região do Baixo Araguaia. Essa região, localizada no nordeste do Estado de Mato Grosso que é uma transição entre os biomas do Cerrado e da Amazônia, com uma área de mais de 116 mil quilômetros quadrados composta por quinze municípios e uma população estimada em mais de 143 mil habitantes, mas com uma densidade demográfica baixa. A Região possui uma rica diversidade socioambiental e cultural por apresentar em seu território a presença dos seguintes povos: indígenas, Comunidades Tradicionais como Quilombolas, ribeirinhos, retireiros do Araguaia; Camponeses e Agricultores Familiares; Quanto ao Índice de Desenvolvimento Humano- IDH houve uma melhora significativa nos últimos anos sendo que o mesmo se situa entre 0,651 mínimo e o máximo 0,692. Todavia a região continua apresentando bolsões de pobreza principalmente nas zonas periféricas dos municípios anteriormente citados.
  10. Brasília é um caso à parte. Uma das mais importantes características econômicas é representada, segundo site Economia de Serviços, pela participação da Administração Pública, de 44,6% no PIB, que advém de seu caráter de capital federal do Brasil, sendo sede do governo central, os ministérios e todos os organismos supremos da administração do Estado. Uma consequência de ser uma região construída para ser um centro provedor de serviços públicos é possuir uma economia de serviços que atua de forma direta ou indireta na complementaridade desses serviços. Este é um dos motivos pelo qual o setor continua a ser preponderante na economia.
  11. Como pano de fundo dessa economia atual em nossas regiões, é preciso considerar o elemento da tecnologia. Há quem afirme que o tempo atual é “um século fascinante e cruel”. Considerando a globalização econômica, a tecnologia tem dividido as pessoas entre aquelas que têm acesso a tecnologia e para quem se descortina um mundo fascinante de possibilidades, e aquelas que não a quem está negado esse acesso por razões também econômicas estão excluídos, descartadas. É importante considerar, no entanto, que todos podem ser atingidos pelos benefícios e prejuízos advindos dos avanços tecnológicos. Há inúmeros problemas que a tecnologia impõe, como, por exemplo, o fato de que importantes decisões são tomadas por algoritmos, levando a crer que tais algoritmos são mais confiáveis, que a própria inteligência humana. Em função do Big Data, a Inteligência Artificial que coleta e analisa grandes volumes de dados variados em altíssima velocidade, as pessoas podem ser vigiadas e até controladas, como afirma o historiador da moda, Yuval Harari Noah: “Ficaremos expostos a uma enxurrada de manipulações guiadas com precisão, sendo fácil manipular nossas opiniões e emoções”. O Big Data constitui também uma série ameaça aos sistemas democráticos, podendo ser facilmente manipulado por sistemas políticos autoritários sendo capaz de convulsionar até mesmo as mais sólidas democracias. Nesse sentido fará com que “os sentimentos humanos sejam cada vez menos confiáveis, à medida em que governos e corporações obtêm sucesso ao hackear o sistema operacional humano”, como afirma Noah. Outro fenômeno a ser considerado na Inteligência Artificial que estando cada vez mais sofisticada “poderia servir apenas para dar poder a estupidez natural dos humanos”, na opinião de Noah, e muitas atividades, trabalhos que hoje conhecemos simplesmente desaparecerão serão substituídos pela Inteligência Artificial que os fará com maior precisão, por consequência o número de desempregados será cada vez maior, de forma que “alguns grupos monopolizam cada vez mais os frutos da globalização, enquanto bilhões serão deixados para trás”, segundo historiador israelense que conquistou o mundo com suas análises.
  12. Política. Para tratar de polícia, pode-se lembrar que não se trata de uma apresentação neutra, amorfa, alienada. Pensa-se na realidade, em mudanças. E as mudanças estruturais só irão acontecer quando criarmos uma consciência e tivermos uma prática político-social no mundo. A mudança, desde já, começa quando compreendemos as estruturas dominantes no nosso país, quando estamos “juntos” com o povo e o meio ambiente, feridos pelas estruturas políticas de morte, quando nos deixamos ser afetados pelas dores do povo, quando promovemos consciência política e comprometimento dos leigos para mudar, se necessário trocar, ou utilizar-se da estrutura dominante para promover o bem comum e principalmente o bem dos pobres, abandonados e excluídos.
  13. Somente indicar prefeitos, vereadores, deputados, senadores, governadores e presidentes das urnas não vai adiantar, sejam eles sujos ou limpos, já estão comprometidos com o sistema de dominação que impera em nosso país, embora haja boa vontade de alguns em apoiar as causas populares, a instituição política partidária vigente, corroída e em estado de falência, os deixam engessados. O que temos feito ao longo dos anos, nas urnas, é empoderar pessoas que se dizem nossos representantes.
  14. Na Carta Encíclica Laudato Si (2015), Papa Francisco diz que “a grandeza política se mostra quando, em momentos difíceis, se trabalha com base em grandes princípios e pensando no bem comum a longo prazo […] Respondendo a interesses eleitorais, os governos não se aventuram facilmente a irritar a população com medidas que possam afetar o nível de consumo ou pôr em risco investimentos estrangeiros.”
  15. Para Frei Beto, frade dominicano, “a política deve se pautar por valores que, em geral, coincidem com os valores das propostas religiosas, como direitos dos excluídos, vida para todos, partilha de bens, poder como serviço, e outros. Sem esses valores, a política vira politicagem, e a corrupção produz a inversão que prioriza o pessoal ou o corporativo em detrimento do social e do coletivo. Seja qual for o modo de o cristão viver seu compromisso evangélico, ele sempre terá consequências políticas. Pode sacralizar a desigualdade social ou favorecer a sua erradicação.” É imperioso que não neguemos os efeitos da estrutura necropolítica no nosso país: a negação do estado de direito, da democracia e a quebra das políticas públicas de assistência social ao povo brasileiro, especialmente ao povo pobre.
  16. A Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2021 expressou a dolorosa realidade do tecido social: “momentos de tensões e conflitos” (CFE, n.40), violência (CFE, n.7) e crises (CFE, n.46-56). Se desde 2008 sofremos com a crise econômica que “levou milhões de pessoas à pobreza” (CFE, n.48), de crise em crise chegamos ao seu momento mais dramático, com a pandemia da Covid-19: discriminação, violência, xenofobia, feminicídio, desigualdades, desemprego, racismo, fome e mortes.
  17. Em se tratando de política partidária e de eleições, vale a pena, perceber, mesmo que sendo um recorte, o que acontece em nossas regiões. Estudiosos responsáveis pelo Dossiê de Oligarquias do Nordeste no Brasil, publicado na revista NEP, de Curitiba (PR), em 2019, ponderam: “Na região Nordeste, apesar de certo grau de institucionalização dos partidos, a presença de longos ciclos políticos e continuidade de tradicionais oligarquias permaneceu como característica de seus subsistemas eleitorais”. Nas eleições municipais de 2020, o PP (Partido Progressista) elegeu o maior número de prefeitos no Nordeste. Nas capitais, o PSB (Partido Socialista Brasileiro) e o PDT (Partido Democrático Trabalhista) conseguiram eleger, cada um, dois gestores municipais. Já o DEM (Democratas), o MDB (Movimento Democrático Brasileiro), o PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) e o Podemos conquistaram, cada um, o comando da sede de um estado.
  18. Segundo avaliação da revista Piauí, com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 2018, o PT (Partido dos Trabalhadores) que elegeu quatro governadores, em certa medida confinou o partido na região, e os dados da eleição refletem esse movimento. O PT intensificou sua presença no Nordeste. Na eleição municipal de 2016, a cada 20 candidatos do PT, 5 eram de estados do Nordeste. Na eleição de 2020, a cada 20 candidatos, 7 eram do Nordeste. Nos estados de Goiás, Mato Grosso e no Distrito Federal, a situação a partir da presença partidária na administração pública está desenhada da seguinte maneira: nos 246 municípios goianos, os cinco partidos com maior número de prefeituras são: DEM, PP, MDB, PSDB e PDT. O PT apostou em 17 municípios e ganhou em apenas 3 localidades, o mesmo número que tinha antes no mandato anterior. No Mato Grosso, nos dois municípios que atuamos, o poder está dividido entre o PL (Partido Liberal) e PP.
  19. Apesar das políticas e eleições partidárias terem parcial importância aos setores social que são excluídos em nossas regiões, tais políticas são insuficientes. Não podemos nos iludir em pensar que este ou aquele grupo partidário será o salvador político das dores, mazelas e carências sociais. É preciso a consciência e participação de todos os setores para não serem lesados nos seus direitos, mas resguardados na sua dignidade como cidadão e principalmente como filhos de Deus.
  20. Na Laudato Si, Papa Francisco nos dá algumas pistas de ação: “as prioridades devem ser a erradicação da miséria e o desenvolvimento social dos seus habitantes; ao mesmo tempo devem examinar o nível escandaloso de consumo de alguns setores e contrastar melhor a corrupção” (n.172). A pressão populacional se faz necessária “quando o direito se mostrar insuficiente, devido à corrupção” (n.179). “Se os cidadãos não controlam o poder político – nacional, regional e municipal -, também não é possível combater os danos” (n.179). A presença, reflexão e contribuição evangélico-social redentorista aos povos, principalmente aos abandonados, pobres e excluídos sociais, é de fundamental importância. Assim, junto ao povo de Deus que constitui nossas comunidades, nos implica a missão de sensibilizar, “estabelecer diálogo, visando ao cuidado da natureza, à defesa dos pobres, à construção de uma rede de respeito e de fraternidade” (LS, n.201).

FERIDAS

  1. Universo dos empobrecidos. Poderia se resumir em uma frase que as feridas desse mundo estão concentradas no universo dos empobrecidos. Ricardo Paes de Barros, em artigo publicado na Revista Brasileira de Estudos Sociais afirma que “o processo histórico da sociedade brasileira sempre foi marcado por crescentes índices de pobreza e desigualdade social” e a distância que separa os pobres dos ricos tem aumentado cada vez mais com a Pandemia da Covid 19. A população em situação de extrema pobreza aumentou significativamente.
  2. Na Encíclica Fratelli Tutti, Papa Francisco recorda que o “oportunismo da especulação financeira e a exploração, onde aqueles que sempre ficam a perder são os pobres” (n.52). Há que se considerar ainda que o país não é pobre e sim um país que possui diversas iniquidades sociais, extremamente injusto e desigual. A pobreza responde por dois determinantes imediatos: a escassez de recursos e a má distribuição dos recursos existentes. Muito mais do que uma justa distribuição de rendas se faz necessário combinar democracia com eficiência econômica e justiça social. Para nós, assumir causa dos pobres significa assumir a solidariedade com os abandonados e crucificados da história, na luta contra o mistério do mal, da iniquidade, isto é, as estruturas de pecado social que descartam a vida dos pobres e os condenam a uma morte precoce.
  3. Índices de desenvolvimento. Convencionalmente, os principais indicadores socioeconômicos usados pelos analistas são: Produto Interno Bruto (PIB), renda per capita, Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), Coeficiente de Gini (comumente utilizado para medir a desigualdade de distribuição de renda), taxa de desemprego e a oferta de serviços públicos. Para não ficarmos com o PIB que é mais geral e fortemente econômico, tomemos os indicadores do IDH para iniciar um caminho de conhecimento e reflexão sobre as feridas desse mundo representado pelo lugar de nossa missão como nova unidade da Congregação.
  4. Segundo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o índice “é uma medida resumida do progresso a longo prazo em três dimensões básicas do desenvolvimento humano: renda, educação e saúde. O objetivo da criação do IDH foi o de oferecer um contraponto a outro indicador muito utilizado, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita, que considera apenas a dimensão econômica do desenvolvimento”. Apesar de sofrer algumas críticas, o IDH é a melhor referência disponível atualmente para retratar a qualidade de vida de uma população estudada, sendo amplamente utilizado tanto por agências governamentais quanto por pesquisadores.
  5. O índice que vai de 0 a 1, quanto mais próximo de zero, menor o desenvolvimento humano do lugar. Quanto mais próximo de um, mais desenvolvido é o estado. Em todas as séries de análises ainda não existiu um país que tivesse índice zero e nenhum tão desenvolvido que chegasse ao índice 1. Os números que elencamos, a seguir, estão disponíveis no Atlas de Desenvolvimento Humano no Brasil, 2017.
  6. O IDH dos oito estados nordestinos onde nossos missionários se encontram varia entre o menor que é de 0,683, de Alagoas, e o maior de 0,735, que é do índice do Ceará. O IDH de Goiás é de 0,769 e é, certamente, puxado por Goiânia, a capital. O interior é pobre e desassistido. Relatório divulgado pelo Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), revelou 11 anos atrás que a capital de Goiás era a cidade mais desigual do País e quase nada mudou, nesse quesito, de lá para cá. Naquela época, só para lembrar, duas outras cidades que nos dizem respeito também estavam na lista das mais desiguais: Fortaleza e Brasília. O Mato Grosso tem o IDH de 0,774 e o do Distrito Federal é o campeão absoluto, 0,850. Chamado de “Noruega candanga” pela Revista “Istoé”, em 2003, o Lago Sul, onde se encontra uma comunidade redentorista, tinha um belíssimo IDH de 0,945. Depois de quase 20 anos, a região já está bem deteriorada e muito distante desse índice.
  7. Desemprego. Destaquemos o desemprego, uma das feridas que mais sangram na atualidade nos territórios de nossa missão. Segundo dados do IBGE, no Brasil, a taxa de desocupação no primeiro trimestre de 2021 foi de 14,4%, isso significa, segundo a revista Você SA, que 14,4 milhões de pessoas estão desempregadas atualmente no Brasil – o maior número da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua que começou em 2012. Somadas, houve um aumento de 12,3% no contingente de desempregados nas regiões Norte e Nordeste, quase sete vezes mais que o observado no Sul, Sudeste e Centro-Oeste. No conjunto, essas três regiões registraram um aumento de 1,8% na taxa de desemprego, segundo reportagem do jornal O Globo.
  8. Em outubro do ano passado, o Portal G1 já havia analisado números do desemprego do IBGE impactado pela pandemia do coronavírus, e acrescentou que além do desemprego recorde, o país atingiu o menor número histórico de trabalhadores ocupados e o nível de ocupação no mercado de trabalho atingiu o menor patamar histórico, em 12 meses. Foram 12 milhões de postos de trabalho perdidos, considerando todas as formas de atuação no mercado de trabalho.
  9. Ferida socioambiental. Uma ferida pouco observada nas nossas áreas de missão é a ferida socioambiental. Trata-se da imbricação missionária pedida pelo Papa Francisco de “unir o grito do pobre ao grito da terra” (Carta do Papa Francisco ao Superior dos Redentoristas, 22 de março de 2021). Na Laudato Si, o Papa deixa claro: “Não há duas crises separadas, uma ambiental e outra social, mas estamos diante de uma única e complexa crise socioambiental” (n.139). No nosso país, vemos as feridas socioambientais causadas pela política governamental. O professor de jornalismo ambiental da PUC-RJ, André Trigueiro, escreveu no “G1-Natureza” sobre 15 tópicos, evocando algumas das muitas medidas que revelam desprezo, descaso, omissão e irresponsabilidade do governo, no que lhe compete fazer por Direito, segundo o artigo 225 da Constituição Brasileira, que impõe ao poder público e à coletividade o dever de defender e preservar o meio ambiente.  As ações vão desde a revisão e facilitação de exploração das 334 Unidades de Conservação do país, até a alteração nas demarcações de terras indígenas, sendo que algumas destas circundam as nossas áreas de atividade missionária.
  10. No Nordeste, por exemplo, temos uma parte significativa dessa população como os Tapebas e os Pitaguarí no Ceará, além dos Tembés, no Maranhão, dentre outros. Seguindo na reflexão socioambiental, em 2019, noticiou-se nas redes nacionais o escandaloso rastro tóxico de óleo no litoral nordestino, ambiente tão apreciado turisticamente e que merece uma maior atenção de cuidados. Algumas praias de Fortaleza se tornaram espaços de manchas tóxicas que contaminaram os organismos do meio ambiente. Para os setores pobres de atividade pesqueira, tal evento dispara uma grande problemática existencial. Nesse sentido, a violência estrutural política atinge de tal modo a vida socioambiental que chegamos a ser “envenenados pela boca“.
  11. Violência racial e de gênero. Outra questão relevante é a violência Racial e de gênero. Essa violência se faz presente no território brasileiro desde os primórdios da exploração colonial, especialmente a violência dos colonizadores contra os povos originários e negros escravizados, que ainda persistem e hoje adquire novas facetas. Uma das principais expressões das desigualdades raciais existentes no País é a concentração dos índices de violência letal na população negra, os mais vitimados são os jovens negros entre 15 a 29 anos, na sua maioria sem instrução, pouco ou nenhum grau de escolaridade.
  12. A cultura do machismo e do patriarcado, muito presente e disseminada na cultura brasileira, tem contribuído com o elevado índice da violência doméstica, de abusos sexuais, especialmente o estrupo, e do feminicídio, dados do Atlas de Violência no Brasil de 2020, indicam que a cada duas horas uma mulher é assassinada  no Brasil,  e a cada seis horas e vinte três minutos uma mulher é morta dentro de casa;  há praticamente o dobro de mulheres negras assassinadas se comparada as mulheres não negras. Não obstante o avanço das leis relacionadas a violência contra a mulher nos últimos anos, especialmente a Lei Maria da Penha, os índices de violência relacionados ao gênero continuam altos e não basta simplesmente afastar o agressor, faz se necessário a indução de políticas públicas e acompanhamentos que possibilitem ao agressor repensar a própria masculinidade.
  13. Violência contra os povos originários. No tocante aos povos originários, povos Indígenas, a grande violência impetrada contra esses tem sido: as invasões e ameaças de invasões dos territórios, pressões decorrentes do agro e hidro negócios, grandes empreendimentos como barragens, linhões, rodovias, extração ilegal de minérios e roubo de madeiras em territórios indígenas demarcados ou não; a presença do pentecostalismo no meio de diversas etnias tem significado o desprezo pelos rituais e cultura ancestrais; não obstante todas as pressões internas os povos originários ainda resistem, na luta pela defesa de seus territórios demarcados já demarcados e o reconhecimento dos territórios não demarcados e procuram  garantir suas culturas materiais e imateriais  e o bem viver.
  14. População em situação de rua invisibilizada. O confrade de Fortaleza, Matheus Coimbra, em companhia de Lorena Araújo realizou trabalho consistente sobre o tema e poderá ser conhecido por todos nós. Entendemos que existe no País uma invisibilidade da população em situação de rua, não há dados oficiais em relação aos mesmos e não estão incluídos no planejamento governamental em geral, em março de 2020, o número estimado de pessoas em situação de rua no Brasil era de 221.869 pessoas. O Contexto da Pandemia e por consequência o crescimento do desemprego contribuiu com o aumento do número de pessoas em situação de rua, desde àqueles que vivem da rua, na busca de alguns trocados para a subsistência, bem como aqueles que vivem na rua, na sua maioria além da invisibilidade social, estão expostos a toda uma serie e explorações e de violências, no contexto. Há uma realidade complexa, que envolvem diversos fatores, econômicos, sociais, de desagregação e abandono familiar, que desafia ao Estado, as Igrejas e a Sociedade Civil organizada a pensar em medidas e meios que seja eficazes e possam garantir condições de vida digna a essa população bem como a reinserção na sociedade, nos casos em que for possível.
  15. Imigrantes. A crise econômica internacional iniciada nos Estados Unidos em 2007, introduziu uma maior complexidade ao fenômeno Migratório latino americano uma das principais características do atual fluxo migratório que chega ao Brasil é o do Sul – Sul, ao contrário de fluxos anteriores que se caracterizavam pela predominância: Norte – Sul, No Brasil os novos fluxos migratórios, iniciados a partir de 2010, provindos do sul global  bastante diversificado, apresenta diferentes origens: sociais, culturais, geográficas e se destacam: haitianos, venezuelanos, bolivianos, angolanos, senegaleses, bengalis.
  16. A maioria dos imigrantes que aportaram no Brasil a partir de 2010, foram os haitianos sendo estes em maioria o primeiro número de acolhidos e com maior número no mercado informal de trabalho. Já a partir de 2016 outro grande fluxo migratório, que na sua maioria adentram no Brasil a partir da fronteira norte do País pela cidade de Pacaraima-RO; em 2018 esse já constituía o segundo maior grupo de imigrantes no País. Quanto ao perfil dos imigrantes a maioria é jovem com faixa etária entre 20 a 39 anos,  do sexo masculino, solteiros, com pouco e ou nenhum conhecimento da Língua  Portuguesa, na sua maioria sofrem preconceitos pelo fato de ser estrangeiros, quanto aos principais motivos que os levaram a migrar para o Brasil se encontram: fuga de conflitos;  perseguições política; crises econômica e política;  fuga da fome e situações de insegurança alimentar; ausência de serviços públicos, especialmente de saúde e de educação; busca de trabalho; busca de melhoria de vidas e outros. Os imigrantes no Brasil, na sua maioria tem por ocupação o trabalho na informalidade, sendo que o setor que mais os emprega é o setor da produção de bens e serviços industriais especialmente os relacionados a cadeia produtiva do agronegócio, porém, na maioria das vezes vivem situações de exploração.
  17. Trabalho Escravo. Não obstante as muitas denúncias que vinham sido realizadas há anos, Brasil só veio a reconhecer a existência do trabalho escravo contemporâneo, na segunda metade da década de 1990, no aspecto jurídico, a alteração do artigo nº 149 (Lei n. 10.803) em 2003, firmou a definição e a caracterização a violação: “Reduzir alguém a condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto.”
  18. Desde a sua criação há vinte e cinco anos atrás o Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM), da Subsecretária de inspeção do trabalho resgatou cinquenta e cinco mil trabalhadores/as em situações de escravidão no País. Embora haja uma queda acentuada no número de resgates de trabalhadores em situações análogas a escravidão, importa destacar que tal queda, não se refere a uma redução em si mesma, mas nas flexibilizações da Consolidação das Leis do Trabalho-CLT, extinção do Ministério do Trabalho e por consequência a desarticulação do GEFM. A prática de trabalho escravo, não é realidade apenas do campo, mas igualmente se faz presente em praticamente diversos setores da produção; no setor têxtil, várias marcas de griff, já foram atuadas com a adoção de mão de obra escrava.
  19. Tráfico de pessoas. O tráfico de pessoas é considerado uma das formas mais graves de violação dos direitos humanos, atingindo globalmente milhares de vítimas, cujos direitos fundamentais e dignidade são enormemente violados. É um crime de enorme complexidade pois envolve diversos fatores: socioeconômico, culturais, psicológicos, etc. dados do Relatório Global sobre tráfico de pessoas de 2020, manifestam que na América do Sul, o que inclui o Brasil, as mulheres são as maiores vítimas, ao passo que há um homem traficado para cada quatro mulheres. A maioria das mulheres traficadas são para fins de exploração sexual e um terço delas para trabalhos forçados, das vítimas a maioria foram detectadas e ou repatriadas da América do Norte, Europa, Oriente Médio e Leste Asiático O enfrentamento dessa modalidade de crime envolve uma ação coordenada de organismos internacionais, coordenação do poder público e da sociedade organizada.
  20. Outras feridas. Há muitas outras feridas como a violência contra jovens, mulheres e idosos, a falta de moradia, de saneamento básico, educação pública de má qualidade e transporte coletivo nas mãos de empresas que não dão atenção aos usuários. A saúde pública em colapso, agravada pelo péssimo enfrentamento de uma pandemia global, a segurança pública desprovida de proteção ao cidadão, cadeias superlotadas, racismo, gordofobia, intolerância religiosa, LGBTQ+fobia, crescimento do crime organizado, corrupção. O espectro das feridas desse mundo, infelizmente, ainda é maior do que esse quadro apresentado. Ficam aqui apenas algumas indicações importantes.

 

NOSSO POVO

  1. Não é desnecessário considerar a composição etária, étnica e cultural do povo que nos é confiado para o trabalho missionário no território da nova unidade.
  2. Composição etária. Um levantamento divulgado pelo IBGE, no início de 2020, mostrou que a tendência de envelhecimento da população se mantém no Brasil. Em 2019, o número de pessoas com mais de 60 anos no país era superior em 6 milhões ao de crianças com até 9 anos de idade, e os analistas consideraram que um em cada quatro brasileiros terá mais de 65 anos em 2060. De acordo com a pesquisa, enquanto as crianças com idades entre 0 e 9 anos somavam 26,9 milhões, chegava a 32,9 milhões o número de idosos.
  3. No Nordeste, pelo Censo de 2010, haviam 14.077.788 pessoas com menos de 15 anos, contra 15.741.793 de 2000, indicando uma continuidade na redução na taxa de natalidade. Estas alterações fizeram a proporção de jovens na população total passar, em termos relativos, de 32,97% para 26,52%, ao mesmo tempo em que a proporção de pessoas com mais de 60 anos atingiu 10,26%, ante 8,42% em 2000.
  4. A região Centro-Oeste, no entanto, apresenta uma baixa porcentagem de idosos quando comparada às demais regiões brasileiras. Apesar disso, a porcentagem de idosos tem aumentado a cada ano. Uma vez que, em 1991 a porcentagem era de 3,3%, no ano 2000 de 4,3% e no último censo igual a 6,0% (IBGE, 2011).
  5. Composição étnica. Segundo pesquisa do IBGE de 2018, a população do Nordeste autodeclarou-se da seguinte maneira: pardos (63,2%), brancos (24,6%), pretos (11,30%) e outros (0,9%). Segundo o censo de 2010, os estados com maior população branca são Pernambuco (36,6%), Paraíba (36,4%) e Rio Grande do Norte (36,3%); os com maior população negra, Bahia (16,8%), Maranhão (6,6%) e Piauí (5,9%); os com maior população indígena, Maranhão (0,9%), Bahia (0,3%) e Paraíba (0,3%); e os com maior população parda, Piauí (69,9%), Maranhão (68,6%) e Alagoas (67,7%).
  6. O quadro étnico do Centro-Oeste, com informações de 2016, apresenta a seguinte composição: Brancos 50,5%, Pardos 43%, Pretos 5,7%, Indígenas e Amarelos 0,8%. Apesar da representatividade menor, os indígenas, segundo informações dadas pela FioCruz, a região Centro-Oeste possui um expressivo contingente populacional indígena com mais de 50 etnias diferentes, totalizando cerca de 110 mil indivíduos. Só no Estado do Mato Grosso do Sul estão presentes 70 mil indígenas. É o segundo estado brasileiro com maior população indígena do Brasil. Em mato grosso são 40 povos indígenas em números absolutos, o estado do Amazonas é o que apresenta a maior população indígena declarada, com 168.680 mil habitantes. Mato Grosso aparece na lista com a sexta maior população, ficando atrás de Roraima (49.637), Pernambuco (53.284), Bahia (56.381) e Mato Grosso do Sul (73.295).
  7. Aspectos culturais. Apesar da abordagem comum colocar a cultura nordestina no mesmo balaio, há uma encantadora diversidade na região. Cada estado e cada microrregião interna traz aspectos ricos da manifestação cultural. Professor Durval Muniz, historiador da Universidade de São Paulo, diz: “Temos que reformular o imaginário sobre o Nordeste a partir de outros aspectos. Reformular o conceito e reformular essas imagens”. Sua proposta pede uma reflexão sobre o que ainda tem uma continuidade e o que precisa ser mudado. “Mas, ainda assim, não chega ao real. Nordeste é diverso. A forma de falar em Petrolina é diferente da forma em Recife, por exemplo. Mas nas novelas da Globo vemos a mesma maneira de falar.” Mesmo afirmando que na reformulação toda a riqueza do Nordeste não será abarcada, vale o questionamento: o que relacionamos com a região? “O sertão, por exemplo, não é atrasado. Ele está em contato com as cidades. É informado, leva as aquisições tecnológicas até ele. O Nordeste é diverso. Diverso em todos os aspectos”, diz o professor.
  8. O Centro-Oeste, especialmente Goiás e Brasília, onde se encontram nossas comunidades apostólicas, encontra-se, culturalmente, muito além do que nacionalmente se costuma mencionar como um universo marcado pelas manifestações de uma subcultura representada pelos nomes do nicho musical do sertanejo apenas comercial. No projeto de elaboração do plano estadual de cultura do estado de Goiás, em 2013, os redatores reconheciam o seguinte: “A posição geográfica do Estado propiciou uma grande mistura de povos, provenientes dos mais diferentes lugares do país. A cultura é constituída por uma grande diversidade de segmentos artísticos, principalmente no que se refere às culturas tradicionais, como as festas populares, a culinária, a música, o artesanato, entre outras”.
  9. É claro que um destaque, em termos de cultura, também deve ser dado à Romaria do Divino Pai Eterno, se faz necessário pelo fato de ter como protagonistas na promoção os membros da nossa Congregação. Há muitas manifestações da cultura popular que se agregam ao movimento evangelizador de Trindade. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) refere-se à festa do seguinte modo: “Em devoção ao Divino Pai Eterno, os fiéis saem de diversas localidades de Goiás e de outros estados do Centro-Oeste e Sudeste e seguem até a cidade de Trindade para pagar promessas, buscar a paz, fortalecer a fé e agradecer pelas bênçãos recebidas”.

 

ESTRUTURA DE IGREJA

  1. Regionais da CNBB. A mobilização dos bispos responsável pela fundação de uma conferência nacional, há mais de 60 anos no Brasil, levou à formulação de uma estrutura que organizou o episcopado por regionais. Nós, missionários das três unidades redentoristas, estamos sob “jurisdição” de seis desses regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB): Norte 3, Nordeste de 1 a 5 e Centro-oeste. Do mesmo modo que os aspectos físicos e humanos das regiões do Brasil que nos encontramos foram considerados até agora, pode-se considerar o Tocantins com as mesmas características eclesiais do centro-oeste, uma vez que se tornou um regional independente nos últimos oito anos. Do mesmo modo, permanece sem uma referência explícita o regional Oeste 2, que comporta Nova Xavantina e a Prelazia de São Felix do Araguaia que também pertence ao Norte 3.
  2. Regionais do Nordeste. Os cinco regionais da CNBB que abrangem o Nordeste têm, ao todo, 11 províncias eclesiásticas e 65 dioceses. Claro, desses números é preciso descontar as circunscrições eclesiásticas da Bahia, no Nordeste 3, e só considerar parte desse regional com as dioceses de Sergipe.
  3. Regional Centro-Oeste. São apenas duas províncias eclesiásticas nesse regional que somam 10 dioceses. Antigo, criado em 1962, o regional centro-oeste já compreendeu todo o estado de Goiás, que naquela época correspondia aos atuais estados de Goiás e Tocantins e o Distrito Federal. Participava também do regional, o antigo estado de Mato Grosso. Depois, vieram os desdobramentos. Também pertence ao regional o Ordinariado Militar do Brasil desde que foi transferido para a nova capital, Brasília. O estado do Mato Grosso deixou o regional em 1964. Em 2013, foi a vez de se tornar autônomo, o estado do Tocantins com a criação do Norte 3.

 

NOSSA PRESENÇA

  1. Vice Província de Fortaleza. Correspondendo ao apelo da recém-criada CNBB para evangelização no norte de Goiás (Atual Tocantins), a província Redentorista de Dublin envia os primeiros missionários irlandeses ao Brasil e em 7 de maio de 1960 desembarcavam no porto do Rio de Janeiro os Padres Irlandeses Tiago McGrath, João Myers e Miguel Kirwin, e no dia seguinte chegava de avião Jaime Collins.
  2. Estes anos (1961-1966) de expansão para o Ceará e Piau deu-se pela necessidade de aumentar o território da missão (Pedro Afonso contava na época com apenas 3.000 mil habitantes) mas também pela necessidade vocacional e financeira. As fundações seguintes serão; São Raimundo Nonato/Fortaleza em 25 de março de 1962, Paraiso / Goiás em setembro 1962, Iguatu/Ceará 30 de agosto de 1964, Teresina/Piauí 1965 e Parnaiba/PI dezembro de 1966. Neste processo de expansão territorial a Vice província foi erigida canonicamente aos 5 de fevereiro de 1962 pelo superior Geral Pe. Guiliemus Gaufreau, CSsR, sendo Fortaleza designada como sede da nova unidade e o Pe. Jaime Collins como superior vice provincial.
  3. No percurso da história da Vice Provincia redentorista de Fortaleza sempre houve o desapego as estruturas, dando assim aos missionários uma maior flexibilidade na atuação pastoral. Desde os primeiros anos os confrades se dispuseram a assumir diversos campos pastorais, sejam eles ordinários ou extraordinários. Desde as desobrigas as pastorais nas grandes periferias, das escolas de catequese à criação de cursos profissionalizantes, da salvação da alma no atendimento sacramental à salvação da dignidade da pessoa humana.
  4. Muitos outros elementos constituem a história dentro dessa unidade. O portal a12, da Província de São Paulo, registrou que na Vice Província de Fortaleza “diversas são as paróquias missionárias, as missões populares e as Novenas em honra à Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Teresina (PI) e Fortaleza, onde os milhares de devotos recorrem semanalmente. O Estado do Ceará nos deu três legados que anteciparam a chegada dos redentoristas: 1) José Ferreira Caminha (1841-1861), natural de Aracati, foi o primeiro redentorista brasileiro professo, falecido em 10 de outubro de 1861, na Inglaterra.” Atualmente contamos com comunidades em Fortaleza e Caucaia (CE), Araioses e São Luiz (MA), Teresina e Altos (PI) e a integração missionária Fortaleza e Dublin que atua em Furancungo (Moçambique)”.
  5. Província de Goiás. Oriunda do primeiro grupo de redentoristas alemães que chegaram ao Brasil no final do século 19, a Província de Goiás tem um percurso histórico que pode ser compreendido pelo itinerário que começou como uma missão, depois tornou-se uma vice província na década de 1970 e, finalmente, Província, em 1994. Hoje, a unidade tem presença nos estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso e no Distrito Federal. Nos mais de 120 anos de história no coração do Brasil, os confrades construíram um lastro de grande dedicação ao trabalho apostólico.
  6. A Província conta hoje com mais de 20 comunidades constituídas. São três santuários (Pai Eterno, Nossa Senhora do Perpetuo Socorro e N. Sra. Das Graças), várias paróquias missionárias nas cidades de Trindade, Abadia e Goiânia, em Goiás; Paraíso e Palmas, no Tocantins e Nova Xavantina, Confresa, Vila Rica e Bom Jesus, no Mato Grosso. Além disso, a Província atende em duas paróquias no Distrito Federal, uma no Lago Sul e outra na região administrativa de São Sebastião.
  7. Além das casas de formação, em Goiânia, a Província conta com obras associadas: administra a Fundação Padre Pelágio com rádios em Goiânia e Ipameri, no interior do estado além de várias outras emissoras em São Luís de Montes Belos, Piracanjuba, Rubiatata, Firminópoils e Nova América. Administra a Associação Filhos do Pai Eterno que é um braço do Santuário do Divino Pai Eterno, em Trindade e essa associação dispõe de uma emissora de Televisão, a TV Pai Eterno. Essa entidade sofre um processo de reorganização desde setembro de 2020, após um grave escândalo midiático.
  8. Vice Província do Recife. Para que os redentoristas se estabelecessem no Nordeste do Brasil, muito contribuiu a pregação desses religiosos nas Santas Missões Populares no ano de 1929 nas cidades de Arcoverde e Serra Talhada, ambas no Estado de Pernambuco. Em 1939 por ocisão do Congresso Eucarístico Nacional que estava acontecendo na cidade do Recife-PE, os redentoristas ajudaram na preparação do referido Congresso com a pregação das santas missões.
  9. No dia 22 de dezembro de 1947, chegaram os primeiros missionários redentoristas na região nordeste do Brasil, a convite do Bispo Dom Juvêncio de Brito, da Diocese de Garanhuns-PE, que pediu a fundação de uma comunidade redentorista em sua diocese. Deveria ser um centro de missões para a região e uma igreja auxiliar no bairro do Arraial (oficialmente Heliópolis). Em 1951 o Superior Geral da Congregação o padre Leonardo Buys, proclama a criação da missão de Garanhuns, sendo esta desvinculada da Vice Província do Rio de Janeiro e em 24 de agosto de 1953 foi oficialmente criada a Vice Província redentorista do Recife, ligada a Província da Holanda. Seu território geográfico se estendia do Estado da Bahia ao Estado do Ceará.
  10. A Comunidade Redentorista de Garanhuns foi formada por quatro missionários holandeses que já trabalhavam na Vice Província do Rio de Janeiro: Padre Joaquim Van Dongen (superior da Comunidade), Padre Miguel Radermacher, Padre Inácio Fenstra e o Padre Adriano Backx.
  11. A partir de 1949 a missão consolidou-se e passou a ser o motor da expansão redentorista em todo o Nordeste. Os missionários “de batina branca”, gozavam um alto conceito junto aos bispos, clero e todo o povo da região, e faziam um grande esforço de inculturação. Paralelo à pregação das missões, foram sendo fundadas outras comunidades, aceitando-se paróquias e também a criação do Seminário de Garanhuns, posteriormente transferido para Campina Grande-PB.
  12. A Vice Província do Recife hoje está presente em cinco Estados do Nordeste: Alagoas na cidade de Arapiraca: Paróquia do Santíssimo Redentor e a casa de formação aspirantado; Pernambuco na cidade do Recife: Paróquia N. S. do Perp. Socorro e sede vice provincial, Santuário N. S. da Conceição no Morro da Conceição e a Livraria redentorista; em Garanhuns, Paróquia N. S. do Perp. Socorro e uma livraria; Caruaru, livraria; em Tacaratú, Santuário/paróquia N. S. da Saúde e em Buíque, estação missionaria/paróquia São Félix de Cantalice; Paraíba na cidade de Campina Grande, Santuário/paróquia N. S. do Perp. Socorro, a casa de formação noviciado São Geraldo, e uma livraria; Rio Grande do Norte na cidade do Natal: Paróquia Sagrado Coração de Jesus e Sergipe na cidade de N. S. Aparecida, paróquia de N. S. Aparecida.

 

SÍNTESE

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COM O TEXTO FINAL, ANTES DA ASSEMBLEIA DE OUTUBRO, FAZER UMA

SÍNTESE DA PRIMEIRA PARTE

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Segunda parte

INTERPRETAR A REALIDADE COMPLEXA – Fidelidade ao Redentor

  1. Magistério. Papa Francisco entende a Igreja de um modo inspirador: “o Paráclito aconselha: ‘Procura o todo’. O todo, não a parte. O Espírito não molda indivíduos fechados, mas funde-nos como Igreja na multiforme variedade dos carismas, numa unidade que nunca é uniformidade. O Paráclito afirma o primado do todo. É no todo, na comunidade que o Espírito gosta de agir e inovar. Olhemos para os Apóstolos. Eram muito diferentes entre eles: por exemplo, havia Mateus, um publicano que colaborara com os Romanos, e Simão, chamado o Zelote, que a eles se opunha. Tinham ideias políticas opostas, visões do mundo diferentes. Mas, quando recebem o Espírito, aprendem a dar o primado não aos seus pontos de vista humanos, mas ao todo de Deus. Hoje, se dermos ouvidos ao Espírito, deixaremos de nos focar em conservadores e progressistas, tradicionalistas e inovadores, de direita e de esquerda; se fossem estes os critérios, significava que na Igreja se esquecia o Espírito. O Paráclito impele à unidade, à concórdia, à harmonia das diversidades. Faz-nos sentir parte do mesmo Corpo, irmãos e irmãs entre nós. Procuremos o todo! E o inimigo quer que a diversidade se transforme em oposição e por isso faz com que se torne ideologia. Devemos dizer «não» às ideologias, ‘sim’ ao todo” (Homilia, 23.01.2021).
  2. Francisco entende a vida religiosa também de forma inspiradora: “sois homens e mulheres simples que vistes o tesouro que vale mais do que todas as riquezas do mundo. Por ele, deixastes coisas preciosas, tais como bens, criar uma família própria. Por que o fizestes? Porque vos apaixonastes por Jesus, n’Ele vistes tudo e, fascinados pelo seu olhar, deixastes o resto. A vida consagrada é esta visão. É ver aquilo que conta na vida. É acolher de braços abertos o dom do Senhor, como fez Simeão. Isto é o que veem os olhos dos consagrados: a graça de Deus derramada em suas mãos. A pessoa consagrada é alguém que, ao olhar-se cada dia, diz: ‘Tudo é dom, tudo é graça’. Queridos irmãos e irmãs, não é mérito nosso a vida religiosa, é um dom de amor que recebemos” (Homilia, 01.02.2020).
  3. O Papa também tem um conselho bonito aos missionários no Brasil: “Queridos amigos, se caminhamos na esperança, deixando-nos surpreender pelo vinho novo que Jesus nos oferece, há alegria no nosso coração e não podemos deixar de ser testemunhas dessa alegria. O cristão é alegre, nunca está triste. Deus nos acompanha. Temos uma Mãe que sempre intercede pela vida dos seus filhos, por nós, como a rainha Ester na primeira leitura (cf. Est 5, 3). Jesus nos mostrou que a face de Deus é a de um Pai que nos ama. O pecado e a morte foram derrotados. O cristão não pode ser pessimista! Não pode ter uma cara de quem parece num constante estado de luto. Se estivermos verdadeiramente enamorados de Cristo e sentirmos o quanto Ele nos ama, o nosso coração se “incendiará” de tal alegria que contagiará quem estiver ao nosso lado. Como dizia Bento XVI, aqui neste Santuário: ‘O discípulo sabe que sem Cristo não há luz, não há esperança, não há amor, não há futuro’” (Homilia em Aparecida, 24.07.2013)
  4. Igreja no Brasil. O “o olhar dos discípulos missionários”, como sugerem as Diretrizes Gerais para a Ação Evangelizadora no Brasil (DGAE), em vigor no quadriênio 2019-2023, é preciso contemplar para sair em missão em um mundo que se transforma. As Diretrizes podem ser uma referência de ponto de partida para a interpretação da realidade com os olhos da fé. Vamos seguir a síntese de dom Aloisio Alberto Dilli, bispo de Santa Cruz do Sul (RS). De início, requer lembrar que: “A Igreja, sacramento universal de salvação, como discípula missionária (servidora), anuncia sempre o mesmo Evangelho: acolher, contemplar, discernir e iluminar com a Palavra de Deus os complexos elementos culturais, sociais, políticos e éticos que constituem a realidade, com suas luzes e sombras” (DGAE, 41-42).
  5. Por conta disso, é preciso “Ocupar-se com as compreensões mais profundas a respeito da vida, de Deus, do ser humano, da família e de toda a realidade, a fim de interagir com ela em vista do crescimento do Reino de Deus. As grandes cidades refletem com mais rapidez o que acontece em todo mundo” (DGAE, 43-45). Dom Dilli sublinha: “Reconhecer a presença de Deus em cada contexto histórico, inclusive no mundo atual, cada vez mais urbano: Deus vive na cidade, em meio a suas alegrias, desejos e esperanças, como nas suas dores e sofrimentos. Cabe à Igreja contemplar esta realidade e distinguir o que o Espírito está dizendo e fazendo, identificando as sombras que negam o Reino de Deus”.
  6. O mundo da grande cidade é local da individualidade: de um lado, a pessoa possui uma dignidade irrenunciável e insubstituível; por outro, há o enfraquecimento do convívio, da comunhão: individualismo. O outro tem valor se é útil”. Dom Dilli, então, cita a escritora Suely Buriasco: “É preciso distinguir individualidade de individualismo. O primeiro é saudável, enquanto o segundo é destruidor”.
  7. O bispo de Santa Cruz do Sul resume assim algumas interpretações da realidade que aí está: “Relação do Estado e do Mercado: a redução da função social do Estado lesa a dignidade das pessoas e enfraquece o exercício dos direitos humanos; o mercado impõe seus objetivos sobre os valores sociais, inclusive sobre as instituições e tradições: família e comunidade. O consumismo, “doença muito séria”, segundo o Papa Francisco mostra que tudo tende a ser consumido, esgotado e substituído. Avaliam-se as pessoas pela participação no mercado, como efetivas produtoras e consumidoras. E a individualização consumista da vida: gera violência, narcotráfico, legalização da morte do outro (aborto). Individualismo e violência andam juntos”.
  8. “Nossa fé reconhece o Senhor presente e atuante em meio a esta complexa realidade. Nossas forças de resistência e resiliência apontam para atitudes culturais de resistência que valorizam mais as pessoas que o consumo; a obediência a Deus que as tendências e modismos do presente (At 5, 29). Novo estilo de evangelizar: Documentos da CNBB impulsionaram para evangelizar nas Igrejas particulares sobretudo pelas urgências indicadas e pelo processo catecumenal da Iniciação à Vida Cristã. A conversão pastoral está fazendo abandonar as estruturas ultrapassadas da transmissão da fé (pastoral de conservação). A Igreja do Brasil precisa investir ainda mais na missionariedade”, finaliza o bispo.
  9. Nossos regionais. Dois documentos, produzidos pelos bispos das duas principais regiões onde nos encontramos podem delinear uma interpretação das realidades que vivemos sob o olhar da Igreja. O primeiro é fruto do último grande encontro presencial dos bispos do nordeste, realizado em 2018, e tem o título de “Documento de Fortaleza”, e o outro é resultado da última assembleia dos bispos do Centro-oeste, em 2019, intitulado: “Carta de Compromissos”. Claro que será necessário agregar a palavra de nossas unidades àquelas dos pastores para a formação de um quadro interpretativo mais amplo.
  10. Bem concreto, capaz de mostrar o rosto das Igrejas Particulares dos cinco regionais da CNBB, o “Documento de Fortaleza” traz uma renovação de compromissos bem abrangente: “mais uma vez, nos debruçamos sobre o momento no qual estamos vivendo, com o intuito de perscrutá-lo e de colher indicações e estímulos para nossa missão. Constatamos que, durante muito tempo, a imagem da Região Nordeste foi estereotipada pelo drama da miséria causada pelas longas estiagens. No final do século XX e início do século XXI, contudo, em razão do momento positivo vivido pelo país, o povo nordestino foi favorecido por uma significativa melhoria do quadro econômico e social”.
  11. Os bispos renovaram o compromisso, naquela ocasião, com “uma Igreja centrada na pessoa de Jesus Cristo, alimentada e sustentada pela Palavra, Eucaristia, Caridade e Oração, e animada pela presença materna da Virgem Maria”; com “uma Igreja missionária que, por meio do anúncio querigmático explícito e do aprofundamento da fé, vive e comunica a alegria do Evangelho”; os bispos também manifestaram a renovação do compromisso com “uma Igreja sinodal, disposta a trilhar caminhos de comunhão, capaz de buscar o discernimento na diversidade de experiências e carismas, prospectada à unidade em todos os níveis, solícita na partilha de seus recursos materiais e humanos, especialmente de ministros ordenados”.
  12. No mesmo encontro, os bispos também afirmaram compromisso com “uma Igreja despojada e samaritana, sensível às novas faces da pobreza e revigorada em sua atuação sociotransformadora. Diante da constatação de que o sistema social no Nordeste ainda mantém sinais da velha cultura escravocrata e desigual, fundamentados no inviolável imperativo evangélico e no Ensinamento Social da Igreja, defendemos a salvaguarda e manutenção dos direitos e conquistas sociais”. Ficou ainda firmado um novo compromisso com “uma Igreja atenta aos jovens, que reconhece o seu papel e protagonismo” e com “uma Igreja consistente em sua identidade e aberta ao diálogo ecumênico e inter-religioso”. “O Documento de Fortaleza” traz ainda a renovação do compromisso com “uma Igreja construtora e promotora da vida e de uma cultura de paz e reconciliação, uma Igreja que defende a sacralidade da vida, desde a sua concepção ao seu natural ocaso, e não admite nenhuma forma de violência contra a dignidade humana”.
  13. Comprometemo-nos com uma Igreja profética, pronta a valorizar os benefícios e a denunciar as ambiguidades de megaprojetos privados e estatais implantados no Nordeste”, dizem os bispos. E, completando essa lista de compromissos, os bispos do nordeste afirmam “Comprometemo-nos com uma Igreja sacramento do Reino de Deus, presente no mundo, servidora e engajada na promoção do bem comum”.
  14. No regional Centro-Oeste, em sua última assembleia, em 2019, foi formulada uma “Carta de Compromissos” que também revela o rosto da realidade eclesial nesse pedaço de Brasil. Os bispos afirmam: “Após o estudo das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE 2019-2023), e como resposta aos desafios da evangelização em uma realidade cada vez mais urbana, queremos ser cristãos em comunidades eclesiais missionárias”. Para isso, elencaram uma série de cinco compromissos. Primeiro: “Motivar as pastorais, movimentos, organismos e serviços, para que integrem em sua vivência os elementos específicos das comunidades eclesiais missionárias, com seus pilares: Palavra, Pão, Caridade e Ação Missionária”.
  15. O segundo compromisso: “Propor itinerários e elaborar subsídios que favoreçam a animação bíblica nas comunidades eclesiais missionárias, especialmente por meio da Lectio Divina”. O terceiro foi “Formar Ministros Leigos da Palavra, com espírito missionário, conforme Documento 108 da CNBB – Ministério e Celebração da Palavra”. E os últimos foram: “Capacitar leigos no conhecimento da Doutrina Social da Igreja” e “Implantar e aperfeiçoar os Conselhos Missionários em todos os níveis: paroquial, arqui/diocesano e regional”.

 

NOSSA VISÃO

  1. Conferência. O pano de fundo importante, naturalmente, é aquele representado pelas conclusões da assembleia da Conferência dos Redentoristas na América Latina e Caribe. Tomemos, inicialmente, a dimensão missionário-pastoral do nosso Plano Apostólico: “Em função das transformações históricas e sociais, as características e necessidades dos abandonados e pobres variam. Isso requer dos redentoristas espírito criativo, desapego a formas e métodos pastorais obsoletos e capacidade de interlocução com os novos sujeitos”. Lá se confirma que “o princípio de que são as pessoas em suas realidades e necessidades que devem determinar as formas e métodos de nossa atuação pastoral e missionária e não o contrário”.
  2. Há aqui uma preocupação com a recepção da mensagem evangélica que anunciamos e que deve chegar aos nossos interlocutores, pobres e abandonados, como boa notícia. Mantendo o conteúdo da fé cristã, por nossa proximidade aos pobres concretos de nosso Continente, com toda a Igreja Latino-Americana, somos desafiados em nossa sensibilidade pastoral à proclamação explícita da Palavra com novo vigor, novos métodos e uma renovada atuação pastoral”, esclarece o Plano Apostólico.
  3. A constatação do nosso Plano Apostólico, que resume a nossa visão da realidade complexa que nos envolve, pode ser a seguinte: “Esta é a hora de Deus para nós, que nos chega através do gemido de nossos interlocutores, em sua realidade de sofrimento e abandono. Não bastam mais os discursos, é necessário hoje o testemunho de uma vida realmente evangélica que se manifesta na proximidade e na solidariedade com os abandonados e pobres do presente e do futuro. ‘O testemunho de uma vida autenticamente cristã, entregue nas mãos de Deus, numa comunhão que nada deverá interromper, e dedicada ao próximo com um zelo sem limites, é o primeiro meio de evangelização’. ‘O homem contemporâneo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres, ou então se escuta os mestres, é porque eles são testemunhas’”.
  4. Plano de Reconfiguração das nossas três unidades. elaborado pelos três governos e os vogais, em agosto de 2019, este documento traz o nosso olhar sobre esse momento.
  5. O que Deus quer de nós? Assim, serve-nos como referência constante deste instrumento, resultado do nosso encontro, a passagem da carta de São Paulo aos Romanos: “não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos, renovando a vossa mentalidade, a fim de poderdes discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, agradável e perfeito” (12,2-3).
  6. Está claro para nós que a reconfiguração exige uma série de procedimentos burocráticos externos que precisam, a passos largos, ser encaminhados, porém, insistimos que a exigência maior é a aquela que vem de dentro. Daí, o pressuposto indispensável para viver este momento é metanóia, mudança de mentalidade. É perfeitamente compreensível que tenha havido quem era favorável ou não à reconfiguração das unidades, mas a partir de agora, é preciso reconhecer a missão bonita que cada unidade realizou até aqui e procurar discernir o modo de continuar respondendo aos apelos missionários de maneira nova.
  7. Tivemos a oportunidade de olhar para trás com gratidão: afinal, cada unidade, com suas forças e fraquezas, fez ressoar o amor do Cristo Redentor por meio da missão realizada até aqui. Mas, também, lançamos nosso olhar para frente, com esperança renovada, elencando prioridades para dar continuidade à missão que o Senhor Jesus nos confia. O critério para esse processo deve ser associado ao que Paulo orienta à comunidade de Tessalônica: “não extingais o Espírito, não desprezeis as profecias. Discerni tudo e ficai com o que é bom. Guardai-vos de toda espécie de mal” (1Ts 5,19-22).
  8. Somos todos missionários, dedicados à realização da missão de Cristo Redentor. Lugares diferentes, diversas culturas, porém, um único ideal: anunciar o Evangelho de Cristo Redentor, como servos humildes e audazes (cf. Const. 6). É a missão que intensifica, vivifica e integra toda a nossa vida e serviço em prol da redenção. A partir disso, é que queremos buscar novos caminhos, alimentar novos sentimentos, renovar a consciência com um redimensionamento das estruturas para exercer nosso apostolado de modo eficaz.

NOSSA ESPIRITUALIDADE

  1. Recordar. O secretariado da Vida Apostólica da Província de Goiás, considera que a Espiritualidade de Santo Afonso é bastante atual e possui elementos suficientes e necessários para que possamos responder aos desafios apostólicos da evangelização redentoristas nos nossos dias. Por causa disso, alguns elementos precisam ser recordados por nós no confronto com a realidade complexa:
  • A Encarnação: Expressão do infinito amor de Deus, na qual Jesus Cristo se faz que em tudo faz solidário ao gênero humano, exceto no pecado, Cristo assume a nossa carne, a Kénosis se dá num duplo movimento enquanto descida e enquanto encarnação concreta na realidade dos pobres, o Senhor se faz servo; sem que haja uma verdadeira encarnação na vida e história concreta dos povos destinatários da evangelização é impossível que esta seja autêntica.
  • A Cruz: Expressão máxima do Amor de Deus, ao assumir a cruz, Jesus assume o confronto da história, e o faz como um “maldito de Deus”, assumindo o lugar dos abandonados, marginalizados e excluídos assumir a cruz significa ficar abandonado, na solidariedade com os sofredores e excluídos é   aceitar o confronto. A Cruz manifesta a solidariedade de Deus com os crucificados da História, Ele que no seu Amor age para liberta-los.
  • A Eucaristia: os dons ofertados simbolizados no Pão e Vinho, são frutos da terra e do labor humano, que sob a invocação do Espírito Santo, a Epíclese, adquirem uma nova substância: são o Corpo e Sangue de Cristo. Vida doada. Quando alimentamos, o nosso organismo assimila os alimentos se tornam energia, fazem parte de nós. Alimentados pela Eucaristia, o Pão e Corpo de Cristo, assimilamos a vida de Cristo, para que com Ele, Nele e por Ele também sejamos capazes de doar a própria vida.

 

SÍNTESE

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COM O TEXTO FINAL, ANTES DA ASSEMBLEIA DE OUTUBRO,

FAZER UMA SÍNTESE DA SEGUNDA PARTE

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Terceira parte

DIRETRIZES PARA A AÇÃO MISSIONÁRIA NO MUNDO FERIDO

Conversão, criatividade e solidariedade

  1. Sugestões do Magistério. Na Exortação Apostólica Evangelium Gaudium, depois do Sínodo sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual, Papa Francisco incentiva para que todos tenham em conta os seguintes compromissos:
  • TRANSFORMAÇÃO MISSIONÁRIA DA IGREJA – Trata-se de um premente apelo a todos os batizados para que, com renovado fervor e dinamismo, levem aos outros o amor de Jesus num “estado permanente de missão”, vencendo “o grande risco do mundo atual”, o de cair “numa tristeza individualista”. O Papa nos convida a “recuperar a frescura original do Evangelho”, encontrando “novas formas” e “métodos criativos”, a não aprisionarmos Jesus nos nossos “esquemas monótonos”. Precisamos de uma “uma conversão pastoral e missionária, que não pode deixar as coisas como elas são” e uma “reforma das estruturas” eclesiais para que “todas se tornem mais missionárias”. Nesta renovação não se deve ter medo de rever costumes da Igreja. O Papa pede um contundente “não” a uma economia de exclusão, a uma nova idolatria do dinheiro, a um dinheiro que governa em vez de servir, à desigualdade social que gera violência, à acédia egoísta, ao pessimismo estéril, ao mundanismo espiritual e a à guerra entre nós. E ele pede um “sim” forte e vigoroso ao desafio de uma espiritualidade missionária e as relações novas geradas por Jesus Cristo.
  • EVANGELIZADORES COM ESPÍRITO – Francisco, no final do documento, realça algumas motivações para um renovado impulso missionário: o encontro pessoal com o amor de Jesus Cristo que nos salva; o prazer espiritual de ser povo; a ação misteriosa do Ressuscitado e do seu Espírito e a força missionária da intercessão.
  1. Sugestões da Conferência dos Bispos. Nas Diretrizes para a Ação Evangelizadora no Brasil (DGAE), a CNBB sugere que seja assumido o compromisso de formar comunidades que vivam como Casa da Palavra, do Pão, da Caridade e da Ação Missionária.
  • CASA: ESPAÇO DO ENCONTRO – Nossas comunidades precisam ser oásis de misericórdia, casas de oração profunda, de mergulho no sagrado. Lugares de encontro com Deus. Fica de lado toda burocratização. O encontro com Deus se dá na celebração cheia de vida, no silêncio que permite escuta, na harmonia que revela a beleza de Deus. O encontro com Deus é também intermediado pelo encontro com o irmão. O encontro com Deus e com os irmãos é espaço de santificação (GEx 145).
  • CASA: LUGAR DA TERNURA – Em nossas comunidades, a afetividade, a empatia, a ternura com os irmãos devem ser nossa marca: “revolução da ternura” (EG 88). É a linguagem da proximidade, do amor que toca o coração e a vida e desperta esperança. Por comungarmos do mesmo pão, na Eucaristia, na palavra e na vida, somos irmãos que caminham juntos e devemos afeto mútuo; superar a superficialidade de relações mecanicistas, fundadas no fazer coisas. As comunidades eclesiais missionárias têm características proféticas; são lugares de reconciliação, de perdão e resiliência.
  • CASA: LUGAR DAS FAMÍLIAS – A família merece atenção renovada. Ela é o ponto de chegada para nossa ação pastoral e ponto de partida para a vida comunitária mais ampla. As famílias constituem-se como sujeito fundamental da ação missionária da Igreja, como Igreja doméstica, lugar de Iniciação à Vida Cristã. A comunidade eclesial missionária acontece de fato nos lares e grupos de família que se tornam núcleos comunitários, onde a Igreja se reúne para meditar a Palavra, rezar, partilhar o pão e a vida.
  • CASA: LUGAR DE PORTAS SEMPRE ABERTAS – Portas abertas para acolher e portas abertas para sair em missão ao encontro do outro, onde quer que esteja. Toda comunidade terá que ser porta de misericórdia para quem precisa. Cada comunidade deverá encontrar o caminho que o Senhor está indicando.
  1. Sugestões do Plano Apostólico da Conferência. Levando em consideração que nossas realidades no Nordeste, Centro-oeste e Norte do Brasil não coincidem literalmente ao amplo horizonte de respostas formuladas para o continente, tomemos aquelas que nos oferecem luzes mais de perto.
  • ATENÇÃO AOS MAIS FRACOS E EMPOBRECIDOS – Em todas as áreas de atuação missionária e de inserção dos confrades em situações e realidades de urgências missionário-pastorais será necessário priorizar a atenção aos mais fracos e empobrecidos.
  • PREGAÇÃO RENOVADA – em modalidades de ação missionária tradicionais como as missões populares, retiros, novenas, exercícios espirituais é preciso considerar a renovação de método e conteúdo.
  • ATENÇÃO À RELIGIOSIDADE POPULAR – Um elemento importantíssimo, considerando que temos em uma das unidades que converge para uma união, a existência de santuários populares. É preciso considerar a religiosidade popular como experiência espiritual e lugar teológico-pastoral na evangelização.
  • EMPENHO PASTORAL LUGARES ESPECIAIS – Santuários, igrejas não-paroquiais, estações missionárias, centros missionários, lugares de acolhida e de aprofundamento da fé, todos esses trabalhos são expressão de uma Igreja profética e solidária.
  • ATUAÇÃO EM PARÓQUIAS VERDADEIRAMENTE MISSIONÁRIAS – o Plano Apostólico da Conferência realça características que fazem com que se possa considerar esse termo “verdadeiramente”. Nessas paróquias, portanto, é preciso que sejam expressivas as seguintes ações: propiciem uma formação catequética e pastoral que fortaleça a fé e leve a um compromisso evangélico, que transcenda o nível sacramental e meramente intraeclesial; fortaleçam a vivência de uma espiritualidade encarnada, comprometida com o Reino e a justiça, reforçando a dimensão transformadora da fé; cultivem e fortaleçam a perspectiva da itinerância missionária, buscando as pessoas em seus ambientes e realidades, não restringindo a ação pastoral aos templos e aos espaços comunitários; dediquem especial atenção aos pobres e abandonados a partir das pastorais sociais (de promoção da dignidade humana e de assistência) e da presença solidária em seu meio. Além disso, o Plano Apostólico recomenda que essas paróquias procurem observar: a descentralização da ação pastoral, formando uma rede de Comunidades solidárias entre si, nas quais seja fortalecida a perspectiva de uma Igreja toda ministerial; tenham sempre a preocupação com a formação e o aprofundamento da fé, abrindo-se a uma participação mais efetiva de leigos/as nas decisões e nos ministérios pastorais. E não deixem de aprofundar a dimensão missionária da Igreja, pela capacitação das pessoas para enviá-las em missão em apostolados sociais e eclesiais.
  • FORTALECIMENTO E DESENVOLVIMENTO DAS PASTORAIS SOCIAIS, fundamentados nos princípios e orientações da doutrina social da Igreja, para a promoção humana, a luta por justiça e paz, a afirmação e cuidado da “casa comum”.
  • REFLEXÃO ESPIRITUAL E TEOLÓGICO-MORAL para a formação da consciência e o fortalecimento do sentido ético na sociedade.
  • ADEQUADA UTILIZAÇÃO DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO DE MASSA e das Tecnologias Interativas de Comunicação Social (TICs) como veículos de evangelização.
  • VALORIZAÇÃO DA VOCAÇÃO DOS LEIGOS/AS, assumindo-a como uma opção apostólica, propiciando espaços de missão partilhada.
  1. Sugestão de nossas unidades. Na assembleia dos representantes das três unidades, realizada em Fortaleza, em fevereiro de 2020, os confrades disseram que não poderiam ficar fora do Plano Apostólico da nova unidade as seguintes questões: o cuidado com o bem-estar do confrade ferido em crise; criar uma instância para ver as fragilidades e qualidades do confrade; a renovação espiritual que passa pelo zelo, pela motivação, abertura e conversão espiritual; o fortalecimento de cada região geográfica para uma passagem mais lenta, através do diálogo até o fim das fronteiras; o processo formativo deve ser filtrado com critérios claros, com confronto, direções e com testemunho de vivências; definir bem o rosto dos interlocutores para uma ação missionaria mais efetiva.
  2. Ainda foi reforçado que: não nos esqueçamos que Jesus Cristo é o centro; o testemunho da Copiosa Redenção; o resgate a vida fraterna; o resgate da condição missionaria e da dimensão oracional na nossa vida. Além disso, os confrades reforçaram que temos de cultivar uma sintonia e diálogo com as grandes questões culturais de hoje; precisamos entender o que é prioridade em cada unidade para buscar um caminho comum, visando a realidade de cada região; precisamos de reconciliação com os nossos destinatários; de renovação Espiritual e Conversão pessoal; de maior zelo com a vida apostólica das comunidades; apresentar, com clareza, o perfil do Missionário Redentorista aos candidatos a vida Religiosa.
  3. Por fim, os confrades consideraram que é importante que exista uma rotatividade dos confrades nas comunidades e funções; será essencial não faltar a conversão pessoal de modo que cada confrade tenha um sentimento de pertença; o desprendimento das estruturas e projetos pessoais; é preciso estarmos atentos à realidade do nosso país; é necessário corresponsabilidade nos processos de reconfiguração; tudo isso de maneira a promover integração pessoal, missionária, formativa e econômica financeira.

SÍNTESE

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COM O TEXTO FINAL, ANTES DA ASSEMBLEIA DE OUTUBRO,

FAZER UMA SÍNTESE DA TERCEIRA PARTE

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Quarta parte

LINHAS DE AÇÃO APOSTÓLICA NA NOVA UNIDADE

Novos caminhos

  1. Pressupostos importantes. Linhas de ação devem orientar uma forte agenda de trabalho e não repetir elementos de doutrina que já foram apresentados nos capítulos anteriores. Precisam apoiar os trabalhos apostólicos em curso e suscitar inciativas de transformação para o futuro do novo grupo. Precisam ser critérios interconectados e transversais nas linhas de ação propostas no Plano Apostólico.
  • NOVO GOVERNO FIEL AO PROJETO APOSTÓLICO – Ao se realizar eleições para a escolha do governo da nova unidade, recomendar a observação criteriosa do Projeto Apostólico definido pelas três unidades. Os confrades poderão entender que os eleitos estarão dispostos a realizar a animação estatutária do governo provincial baseada nesse Plano Apostólico e não na forma individual ou grupal que poderão entender o modo como deve ser a caminhada da província/conferencia/congregação. E, claro, iniciar um cronograma de supervisão e ajustes do Plano Apostólico no primeiro quadriênio.
  • COMUNIDADE APOSTÓLICA – Esse elemento, presente desde as nossas Constituições Gerais, passando por vários documentos no decorrer de nossa história, precisará tomar relevância como uma de suas prioridades máximas na criação da nova unidade. Será necessário reforçar a comunidade apostólica como realidade concreta. A eficácia do nosso serviço aos últimos desse mundo será proporcional a um sentimento comum capaz de ativar prática de solidariedade que se expressa nos métodos de trabalho e nas abordagens que fazemos. Desaparecem “lá na minha Vice Província” ou “na minha Província” para o surgimento do “nós” em uma consideração compartilhada que não nega a diversidade do passado, mas não se apega a ele impedindo o seguimento da nossa história. Desse modo, nossas casas conseguirão ser um espaço habitável, inclusivo e sustentável para todos. De outro modo, nos reduziremos a um depósito de saudosistas.
  • FORMAÇÃO CONTINUADA – O Plano para a formação básica vai refletir a Vida Apostólica da nova unidade e, por isso, é preciso que os formadores levem este Plano de Vida Apostólica inteiramente em consideração. Além disso, é preciso que nos comprometamos – ao formarmos um novo grupo na Congregação – com um programa de formação continuada. Nesse programa, será importante mapear boas práticas de trabalho apostólico. Não inventamos a pólvora e não somos uma ilha missionária. E, no espirito solidário recomendado pela Conferência, ouvir mais outras experiências, além de desenvolver um caminho de formação redentorista com os leigos aprofundando fontes da espiritualidade de Santo Afonso, levando em conta o diálogo com a cultura contemporânea, as dinâmicas de grupo e uma perseverante prática de avaliação. Evangelizar também se aprende, se dimensiona a partir de realidades novas e se reassume, a partir da fidelidade à vontade do Pai, da luz do Espírito que moveu o Redentor e do fluxo da graça de Deus derramada em nossos corações.
  • AVALIAÇÃO DOS TRABALHOS TRADICIONAIS – Uma vez que um novo corpo missionário é formado, é preciso que se instale um processo de avaliação dos trabalhos assumidos na caminhada de cada uma das três unidades logo no início do primeiro quadriênio, com metodologia inteligente de forma a não ofender as razões que levaram à adoção desses trabalhos, mas possibilitando uma nova afirmação dessas frentes missionárias. Evitar o rápido e perigoso “deixar isso ou aquilo” e engendrar um processo que inclua confrades conhecedores de cada frente, confrades distantes, leigos colaboradores e, principalmente, a escuta dos pobres, o povo atingido pela nossa ação apostólica.
  • FOMENTAR AUDÁCIA APOSTÓLICA – No movimento de conhecimento entre os confrades e nas novas disposições de equipes para a continuidade da nossa ação apostólica, garantir um espaço para o inicio de processo para formular e amadurecer novas e audaciosas iniciativas apostólicas para a nova unidade, baseados nos enunciados do Plano Apostólico. Naturalmente, será necessário imunizar o grupo contra o vírus dos arroubos pessoais sem conversão interior e das lideranças autoritárias.
  • COMPROMISSO DA CARIDADE SOCIAL – O amor do Redentor transformado em gestos concretos exige que nossa nova unidade reconheça a necessidade e trabalhe, arduamente, por uma forte organização de caridade social. Nesse movimento, as preocupações devem ir além da organização jurídica de obras sociais e ganhar espaço no debate apostólico com o mesmo empenho dado à pregação. Não se justifica mais o predomínio do preconceito contra o assistencialismo, encobrindo um necessário compromisso concreto, real e direto na organização da caridade aos mais desesperançados tanto em nível de sua promoção humana integral quanto na conscientização coletiva com acento na dimensão política e transformadora.
  • TRABALHAR JUNTOS E EM REDE – Conceitos de tecnologia e de relacionamento contemporâneos podem nos ajudar muito. O trabalho em rede é um deles. O mundo laico já aprendeu essa lição; nós, ainda não. Seu ponto de apoio e de partida é sempre a disposição de perceber as interconexões entre o local e o que a província faz no seu conjunto. E esse trabalho não depende, necessariamente, das infovias informatizadas para existir, apesar de ser potencializado por elas. O trabalho em rede respeita, simplesmente, o princípio de apoiar uns aos outros independente da frente em que ele se encontra, evoluir em fidelidade como grupo e transformar em conexão contínua uns com os outros. Para isso, precisamos superar a “departamentalização” que nos dá a falsa segurança de que algumas discussões não nos dizem respeito.
  • POR FIM, ALEGRIA! – Com a palavra, Papa Francisco: “O grande risco do mundo atual, com sua múltipla e avassaladora oferta de consumo, é uma tristeza individualista que brota do coração comodista e mesquinho, da busca desordenada de prazeres superficiais, da consciência isolada […] Este é um risco, certo e permanente, que correm também os crentes. Muitos caem nele, transformando-se em pessoas ressentidas, queixosas, sem vida. Esta não é a escolha duma vida digna e plena, este não é o desígnio que Deus tem para nós, esta não é a vida no Espírito que jorra do coração de Cristo ressuscitado” (EG,2). No âmbito desse apelo à alegria feito por Papa Francisco, consideramos de importância fundamental o cuidado com a vida integral de cada confrade. Há feridas a serem curadas. E devem ser movidos os instrumentos necessários para que as pessoas sejam revitalizadas em suas estruturas físicas, emocionais e psicológicas, ainda que para isso seja necessário ajuda profissional.
  1. Ações concretas. Em Fortaleza, na reunião de fevereiro de 2020, os confrades, depois de trabalhos feitos em grupo, deixaram uma indicação sobre quais prioridades e meios refletem as urgências da nossa ação pastoral na futura província.
  • COMO PRIORIDADES MISSIONÁRIAS, ficaram as seguintes: pobres nas periferias urbanas, rurais e existenciais; jovens em seus diversos contextos; idosos abandonados; famílias em situação de precariedade, divisão e ameaças de desintegração; mulheres em situação de violência;
  • COMO PRIORIDADES APOSTÓLICAS: atenção aos mais fracos e empobrecidos; atuação em paróquias verdadeiramente missionarias; valorização da vocação dos leigos das unidades, assumindo-a como uma opção apostólica, proporcionando espaços de missão partilhada nos projetos comuns da conferencia e missão ad gentes; atenção à religiosidade popular como experiência espiritual e lugar teológico – pastoral na evangelização do povo; o fortalecimento e desenvolvimento das pastorais sociais fundamentados nos princípios e orientações da doutrina social da Igreja, para promoção humana, a luta por justiça e paz, a afirmação e cuidado da casa comum; adequada utilização dos meios de comunicação; pregação renovada das missões populares, retiros, novenas, exercícios espirituais; empenho pastoral em estações missionárias e centros missionários; comunidades de inserção.

SÍNTESE

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COM O TEXTO FINAL, ANTES DA ASSEMBLEIA DE OUTUBRO,

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PARA DEVOLUÇÃO DO TEXTO

  • Se a correção for apenas de um termo, indique o número do parágrafo e, se possível, a linha onde a palavra está e envie o novo termo.
  • Se a sua observação pessoal ou comunitária é apenas uma frase, cite o número do parágrafo e coloque sua sugestão.
  • Se é para reformular completamente um parágrafo, cite o número do parágrafo e apresente um novo texto.
  • Se é correção de uma parte do texto, diga os números dos parágrafos compreendidos e apresente novo texto.
  • Se a discordância for dirigida ao documento inteiro, apresente um novo texto, ou uma nova estrada para a redação e, se possível, indique quem poderia nos ajudar na nova redação de acordo com orientações bem concretas.

 

ORAÇÃO

Pai Misericordioso, nós Te louvamos por teu infinito amor, Te damos graças pela vocação e Te pedimos que nos guies pelos novos caminhos que traçar para a Congregação.

Jesus Cristo Redentor, ajuda-nos a sermos fiéis missionários da tua Copiosa Redenção, oferecendo nossas vidas por nossos irmãos e irmãs como um único corpo missionário do qual és a cabeça.

Espírito Santo, abre nossos corações para atualizarmos, através dos Planos Apostólicos e de Reconfiguração, o Carisma Redentorista, e para encarnarmos no mundo ferido e cada vez mais complexo em termos de culturas, religiões e desafios.

Mãe do Perpétuo Socorro, nosso Pai santo Afonso, santos, beatos e mártires da Congregação, intercedei por nós para que o 26º Capítulo Geral seja um tempo de conversão, de criatividade e de solidariedade missionária entre nós e com os mais abandonados, especialmente os mais pobres. Amém.

SUBCOMISSÃO PARA A VIDA APOSTÓLICA

RESPONSAVEL PELO INSTRUMENTO LABORIS

P. André Ricardo de Melo, P. Thyers Oliveira, João Bosco de Deus, P. Emerson Borges e P. Rafael Vieira

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

FONTES

Plano Apostólico da Conferência dos Redentorista da América Latina e Caribe

Projeto de Reconfiguração das unidades: Goiás, Fortaleza e Recife, 2019

Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2019 – 2022

Projeto Missionário – Vice Província de Fortaleza, 2019-2022

Atas da Assembleia Capitular da Província de Goiás de 2019

Plano Apostólico dos Redentoristas da Vice Província de Recife

Atas da Assembleia das três unidades em Fortaleza, 2020

 

OUTRAS FONTES

Yuval Harari Noah, Lições para o século 21, Cia das Letras, SP, 2009

Isabel Fortes, A dimensão do excesso: Bataille e Freud. https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-14982010000100001

Aziz Nacib Ab’Sáber, Sertão e sertanejos: uma geografia humana sofrida. https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40141999000200002

Pablo Ortellado, A disseminação de estereótipos sobre as regiões brasileiras

https://pnld.moderna.com.br/divulgacao/arariba-geografia/dvd/arariba_mais_geografia_7_ano/conteudo/estereotipos_AG7_trans_G20.pdf

UNIME, Descubra as principais atividades econômicas da região nordeste

https://blog.unime.edu.br/atividades-economicas-da-regiao-nordeste/

Marília Steinberger, Região centro-oeste: uma visão geopolítica

https://www.redalyc.org/pdf/703/70312129003.pdf

UFRN, Efeito da idade sobre a mortalidade

https://demografiaufrn.net/2020/05/04/o-risco-de-mortalidade-por-microrregioes-e-o-efeito-da-composicao-etaria-no-contexto-da-covid-19/

Pedro Ezequiel, Jornal da USP, Cabe a diversidade do nordeste em uma palavra de oito letras?

https://jornal.usp.br/universidade/eventos/cabe-a-diversidade-do-nordeste-em-uma-palavra-com-nove-letras/

CNBB, Documento de Fortaleza

http://www.cnbbne1.org.br/wp-content/uploads/2019/06/2018-Documento-de-Fortaleza-FINAL.pdf